RECORDAR É , POR VEZES LAMENTAR.

Hoje acordei pardacenta como o dia.
A chuva e as nuvens ceifaram o brilho do sol, tal como a morte à 16 anos acolheu aquele de quem falarei um dia, com calma, tentando alguma perfeição na escrita, de forma a que nada fique ao acaso.
Faria hoje 82 anos, o meu pai.
É estranho, mas a data do seu aniversário, é o dia do ano em que normalmene mais me recordo dele. Não sei explicar isto.
Hoje o clima lembra-me um 5 de Outubro, teria eu uns doze anitos, fomos os dois passear. Era feriado, mas a minha mãe teria que ir trabalhar, então o meu pai resolveu, que o dia iria ser nosso, talvez numa tentativa de reconciliar muitos dos desconcertos que nossa relação tinha, e se manteriam ao longo dos anos.
Tentei impedir a ideia, desculpando-me com o facto de não ter sapatos adequados, para ir até à Praça do Município, também não tinha uma malita decente, enfim eu não tinha nada em comum com ele, para ir passear. Mas como sempre, a sua suprema vontade manteve-se e prontamente me levou a uma sapataria em Algés, onde comprou uns sapatos e uma mala, a seu gosto, que caprichosamente, apesar da minha relutância, tive que usar. Indo assim contrafeita ouvir o Marcelo Caetano ou o Tomáz, já nem sei, dizer umas coisas que de mim estavam tão longe, como hoje estou do infinito.
Após a prosa política, fomos até ao Terreio do Paço, onde embarcámos num caciheiro, que nos levou a um restaurante de Cacilhas, francamente não lembro o que comi. Sei e ainda retenho o confronto entre a louca vontade de voltar para casa, para junto da minha mãe, e o seu orgulho desvelado de um pai mostrando-me a cidade do outro lado do rio, tentanto comungar comigo aquelas horas de “boa relação”.
Sinto-me triste, por ser de forma tão crua que neste dia recordo o homem que por muito me querer, calcorreou a vida de progenitor com erros sobre erros.
Amparo a mágoa, como a chuva que hoje cai sobre o meu chapéu. Por vezes vem, escorrega, e de quando em vez regressa.
Alimento a esperança de um dia, nos podermos encontrar e talvez conseguir ententer o porquê de muitas coisas que ficaram por dizer.

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A vida ou é uma aventura ousada ou não é nada.
(Hellen Keller)
É de memórias…, é de frases que provavelmente darão origem a diversos temas…, é de pensamentos…, é de vivências…, é de tramóias…, é de histórias…, enfim um sem número de temas que no dia a dia se me apresentam, bem como o desafio de escrever para o mundo virtual, ou quem sabe, para os que me são queridos, perceberem o porquê de alguns discursos ou atitudes menos bem definidas.

É de vida… , exactamente o nome deste blog ; “VIDA” .
Esta “Buhay” que se vos apresenta faz parte de um idioma, falado por milhões de Filipinos.
Não que as Filipinas, me seduzam particularmente, mas o facto de 7 mil e tal ilhas serem um só País, relaciona-se com o que pretendo levar a diante com este blog.

Segmentar pequenos pedaços da minha humilde existência.

JOGOS

Conjugar palavras bonitas, desconheço se sei fazer.

Apetece-me seguir este pensamente de Machado de Assis, que deu mote, ao que doravante irá ser um dos meus portos de abrigo.