Etapas


Sabendo reconhecer as etapas da vida, a intensidade dos bons e maus momentos, conseguimos distinguir entre um simples aborrecimento e uma dor bem forte.
Abafar uma simples contrariedade, podemos faze-lo na alegria e uma festa, numa ida ao cinema, no assistir a um concerto de Verão, não é a mesma coisa que tentar superar uma dor séria. Uma chatice é uma pedra no caminho, uma grande dor é uma montanha de difícil escalada, é fundamental não confundir pedras com montanhas.
Pedras, podemos saltá-las sem esforço, montanhas dividem o espaço, interrompem, estabelecem um antes e um depois, e é aí o ponto, em que visivelmente alguma coisa em nós se modifica .
E o que exigem de nós essas montanhas? Basicamente, atenção. Funcionam como um sinal de alerta. Ordenam um olhar mais atento, há perigo perto, convém prevenir-nos antes do próximo movimento.
Acalmado o primeiro impulso ansioso, que nos impede para a fuga veremos que enfrentar montanhas, não é tão mau como se temia, desde que analisemos em detalhe a causa do que estamos a viver e entender porque é que chegámos até ali.
É no decorrer deste trabalho que deglutimos e incorporamos os factos na nossa própria vida, preparando-nos ao mesmo tempo para traçar novos rumos, e não nos deixarmos perder na intensa vegetação da montanha.
Dos maus momentos da vida, daqueles que parecem eternos, saímos mais fortes e talvez um pouco mais maduros.
Ganhamos mais, e abrimo-nos para os outros de uma outra forma.
Conquistamos também uma pequenina parte da humildade tão necessária para aceitar que ainda atravessaremos outras fases de sofrimento. E entenderemos que em cada uma delas ganharemos um novo fôlego para o momento seguinte.

O que acolho

Acredito que a LUZ ,vem a caminho.

ESPERANÇA

Espero que o dia de amanhã, não seja tão massacrante como o de hoje!
Foi demais…
Mas alguma coisa me diz, que o SOL vai brilhar novamente…

Luz

Neste meu recente périplo pelos blogs, tenho percebido, que os mesmos se dividem em variadíssimas classes, existindo um perfil que predomina e me tem obrigado a alguma reflexão. Trata-se da procura insistente do “eu superior” ou da “luz” como lhe quisermos chamar.
Ao que me parece nem toda a mudança ou tentativa da mesma se traduz num romper com o compromisso de vida que nos foi atribuído ao nascer.
Todas as possibilidades existem, nem sempre de acordo com o padrão ensinado. Embarcar na reflexão, pode ser o reconhecimento da provação em falta, da respiração suspensa, da vilanagem inconsciente, da vida de ausência ou até do silêncio perdido. Daí a necessidade de investigar.
Estou longe dessa procura, provavelmente deveria, e parece-me que a evolução, vou chamar-lhe assim, resulta duma impossibilidade durável de manter a vida real, até ali vivida.
Num piscar de olho, e de fácil entendimento, reconhece-se que o heroísmo no quotidiano, se torna violento para aquele que o pratica, pelo que resistir à pressão dos círculos próximos é difícil. Daí o encosto à espiritualidade.
Não me choca que as pessoas se queiram tornar melhores seres humanos, mas as ausências imaginadas, podem vir no sentido inverso e reclamar aquilo que no nosso dia a dia não se pratica, arrisco dizer, poder ser redutor.
Na generalidade dos casos, raramente a atitude é igual ao discurso.

Também tenho a minha Flor de Lótus dentro da mente, tal como ela, que emerge de águas lodosas e aparece de branco imaculado, também eu sofro metamorfoses, e não serei por isso desprezível.
Reajo simplesmente, e continuo a defender que o melhor do nosso “eu” virá à tona se aceitarmos os outros sem padrões pré definidos. Com todos aprendemos, mesmo que muitos de nós não tenhamos ainda encontrado o caminho da “Luz”.

31 anos de caminhada

“…Quando dois seres se entregam, não sabem o que fazem, não sabem o que querem, não sabem o que procuram, não sabem mesmo o que irão encontrar…”
Paul Ricouer
A nossa estrada começou num dia de Inverno, em que a chuva foi brinde da natureza.
Rezam os ditos populares, “Casamento molhado, casamento abençoado”.
A sobrevivência enquanto casal, baseámo-la numa equação a duas incógnitas, sendo que procurando a natureza das mesmas conseguimos resolvê-la procurando conhecer a natureza entre as duas.
Cedo percebemos, que não existiam livros, para aprender a ser casal.
Cedo aprendemos que juntos estávamos submetidos à continuidade que nos conduziria ao desenvolvimento, ou se assentássemos em falsos conceitos de casal perfeito caminharíamos a seu tempo para a destruição
A continuidade é fecunda, é ela que cria o casal, porque aqui não há lugar a improviso, não é de um dia para o outro que se passa de individuo isolado a casal.
Assim definimos que a nossa união deveria ser uma associação de duas pessoas livres, baseada na comunhão de ideais.
Aqui o equilíbrio, era o resultado de uma vitória das forças de coesão sobre as da dissociação e entrar em jogo na escola do outro, pois não há relações de satisfação total.
Descobrimos que a distância entre a realidade e o ideal pode reduzir-se desde que aceite, por ambos.
Existem diversos tipos de casais, nenhum se assemelha, porque nenhum ser é absolutamente idêntico ao outro, na infinita diversidade da criação. Cada um é uma história, diferente duma terceira, e a noção de casal não pode ser, e não é, fixa e imutável, não é uma realidade prefabricada, segundo um esquema válido, para todas as épocas.
O casal como o entendemos durante a nossa vida é uma realidade móvel em função dum tempo, no decurso da nossa linha individual, assim como na colectiva.
Se a uniformidade fosse regra da espécie humana, e se todos fossemos iguais, qualquer um poderia emparelhar com qualquer outro. Seria anularmo-nos porque todos mudamos no decurso da viagem, e não seremos nunca os mesmos ao chegar ao fim, é preciso escolher a cada instante o evoluir paralelamente com o outro, pois se cada um fosse por si só um ser perfeito, bastar-se-ía a si próprio, e não teria necessidade do outro.

No decurso da nossa história evoluímos como organismo vivo, onde temos estado ao serviço do amor.
Fizemos uma boa opção, escolhemos a continuidade.

Até…

Estou francamente desiludida.