31 anos de caminhada

“…Quando dois seres se entregam, não sabem o que fazem, não sabem o que querem, não sabem o que procuram, não sabem mesmo o que irão encontrar…”
Paul Ricouer
A nossa estrada começou num dia de Inverno, em que a chuva foi brinde da natureza.
Rezam os ditos populares, “Casamento molhado, casamento abençoado”.
A sobrevivência enquanto casal, baseámo-la numa equação a duas incógnitas, sendo que procurando a natureza das mesmas conseguimos resolvê-la procurando conhecer a natureza entre as duas.
Cedo percebemos, que não existiam livros, para aprender a ser casal.
Cedo aprendemos que juntos estávamos submetidos à continuidade que nos conduziria ao desenvolvimento, ou se assentássemos em falsos conceitos de casal perfeito caminharíamos a seu tempo para a destruição
A continuidade é fecunda, é ela que cria o casal, porque aqui não há lugar a improviso, não é de um dia para o outro que se passa de individuo isolado a casal.
Assim definimos que a nossa união deveria ser uma associação de duas pessoas livres, baseada na comunhão de ideais.
Aqui o equilíbrio, era o resultado de uma vitória das forças de coesão sobre as da dissociação e entrar em jogo na escola do outro, pois não há relações de satisfação total.
Descobrimos que a distância entre a realidade e o ideal pode reduzir-se desde que aceite, por ambos.
Existem diversos tipos de casais, nenhum se assemelha, porque nenhum ser é absolutamente idêntico ao outro, na infinita diversidade da criação. Cada um é uma história, diferente duma terceira, e a noção de casal não pode ser, e não é, fixa e imutável, não é uma realidade prefabricada, segundo um esquema válido, para todas as épocas.
O casal como o entendemos durante a nossa vida é uma realidade móvel em função dum tempo, no decurso da nossa linha individual, assim como na colectiva.
Se a uniformidade fosse regra da espécie humana, e se todos fossemos iguais, qualquer um poderia emparelhar com qualquer outro. Seria anularmo-nos porque todos mudamos no decurso da viagem, e não seremos nunca os mesmos ao chegar ao fim, é preciso escolher a cada instante o evoluir paralelamente com o outro, pois se cada um fosse por si só um ser perfeito, bastar-se-ía a si próprio, e não teria necessidade do outro.

No decurso da nossa história evoluímos como organismo vivo, onde temos estado ao serviço do amor.
Fizemos uma boa opção, escolhemos a continuidade.

Artigo anterior
Artigo seguinte
Deixe um comentário

2 comentários

  1. gostei muito

    Responder
  2. Eduarda 31 anos de casamento e pelo que vejo dos bons, por aqui com 20 e sempre para continuar.Gostei de lhe matar as saudades das ilhas e do meu Pico, tem razão as nossas ilhas são um imenso paraíso.Um beijinho e os meus parabéns por este post magnifico.

    Responder

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: