A caminho do caminho

Somos socialmente educados para dar “boa impressão” e a nossa primeira reacção é olhar para o lado e procurar nos outros o efeito dos nossos actos.
No processo de atendimento e entendimento dos desejos, aprendi que deveria manter-me ligada a mim mesma , respeitando aquilo que os outros pensam em vez de me preocupar com o que os demais vão pensar.

Diz-se normalmente que “aprendemos com o sofrimento”, desconfio que é errado.
Eu acho que a sofrer pouco se aprende, nem mesmo a sofrer menos. Admito todavia que pode ser um agente riquíssimo se conseguirmos aprender que do sofrimento podemos tirar lições, ou seja se durante o processo olharmos de frente e procurar ver porque foi causado, como actua em nós, como o recebemos, como aceitamos o mundo quando a sua carga nos esmaga, e finalmente como saímos dele.

Ser feliz, creio, é a proximidade de um conhecimento maior de nós e dos outros, é a possibilidade de uma outra integração no universo.
Será que ser feliz e ter paz interior deveriam ser irmãs?
Não tenho a certeza. E por paz não entendo o acomodar-me, mas sim uma espécie de serenidade que se consegue alcançar, não dominando os próprios conflitos, mas saber conviver com eles, (ou tentar aprender a conviver).
Assim felicidade é de alguma forma sabedoria. Mas há graus de felicidade, bem como há graus de sabedoria, assim arriscaria que uma pequena felicidade pode corresponder a uma pequena sabedoria, ou conhecimento como se queira.
Porque o ser feliz é estar-se voltado para a compreensão do universo, é ser generoso, ter alma aberta, não só para si como para os outros.
E continuando a puxar o fio das explicações, acabo por chegar irrefutavelmente a Deus.
Eu que até achava que era uma católica razoável, cheguei um pouco mais longe.
Afinal ser feliz é ser aceite por Deus e ELE é a felicidade por execelência.

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QUESTÕES

CHATAUNEUF, guardião de armas de Luis XIII, ao ver um menino de apenas nove anos respondendo a todas as perguntas feitas pelo bispo, com requintes detalhados, arriscou uma pergunta de difícil resposta:
“Eu lhe darei uma laranja se me disser onde está Deus.”
“Meu senhor,” respondeu o menino,“Eu dar-lhe-ei duas laranjas se me disser onde Deus não está! “

CRIANÇA

“Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância.”

Eugénio de Andrade, in ‘Rosto Precário’

Como aplicar a lei do menor esforço

“Terei de praticar a Aceitação. Hoje aceito pessoas, situações, circunstâncias e acontecimentos, tal como eles ocorrerem. Reconhecerei que este momento é aquilo que deveria ser, porque todo o Universo é, como deveria ser. Não lutarei contra todo o Universo, lutando cotra o momento presente. A minha aceitação é total e completa. Aceito as coisas como elas são no momento, não como eu gostaria que fossem.”
Deepak Chopra inAs Sete Leis Espirituais do Sucesso

MUDANÇAS

Este post é dedicado à Mariz e à Salomé, duas pessoas que não conheço pessoalmente, mas cuja força e ensinamento me tem ajudado no entender do desconhecido.
Obrigada Amigas.

Independencia é uma forma de nos colocarmos em relação à vida, que abrange a totalidade ou quase das nossas acções.
Independência é a condição de não depender , de não ser tutelada de ser dona das próprias decisões, de ser autónoma.
E aí teremos que enfrentar a ideia argentária. Não é um conceito edificante, mas sem independência económica, não existe independência.
A partir do facto elementar que é preciso comer, e não há comida gratuita, porque mesmo que plantemos, precisamos de solo, e de uma semente para geminar.
Com um salário na mão definimos os nossos padrões, o que podemos fazer, onde podemos morar e até onde podemos ir.

Mas será que independência é tão simples assim?

Todo o conhecimento é necessário para chegarmos e manter a independência.
Não se trata apenas de afirmá-la, mas também de demonstrá-la.
Não basta o conhecimento de uma profissão, embora seja indispensável para o tal caminho do sustento, mas para cuidar de nós é preciso muito mais, e não me refiro aos cursos, às roupinhas ou às nossas necessidades supérfluas.
É preciso sabermos em que mundo vivemos, quem nos rodeia, quais as nossas grandes questões.
São estes conhecimentos que dão à vida uma arquitectura mais sólida.
Sustentar uma vida é nada mais que arrumar as nossas dúvidas, perante as respostas que se nos oferecem.
E na hora do arrumo, quando estamos com a bateria quase descarregada, vamos conferir a contabilidade e damos de caras com um benefit, que nos mostra que há sempre um amanhã promissor à nossa frente. Um amanhã movimentado. Vital, com trabalho, fraquezas a vencer e forças novas a despertar.

Privilégio é a forma como nos sentimos compensados, reconhecer que não damos só importância à conta da luz, ou por não termos com quem sair numa noite de sexta feira.

Independência é não ter medo de crescer, independentemente da nossa idade.

Ou seja independência é coisa muito profunda, que não basta entregar a uma empresa
de mudanças.

“Não posso fechar os olhos quando a luz é intensa demais e queima as letras que pensava eram meu nome.
Não posso fechar os olhos a mim própria quando começo a verificar que sou muito diferente daquilo que deveria ser, ou que era suposto ser,daquilo para que fui criada e daquilo que a sociedade a que pertenço espera de mim.
Procuro ser fiel a determinada imagem que de mim criei – ou que me foi entregue já criada – e pode acontecer que deixe de ser fiel àquilo que é o meu nome original.”

PINA BAUSCH

1940 – 2009

Projectava como ninguém a comunicação entre os géneros, traduzidos na diversidade dos trabalhos que nos ofereceu.
A sua marca dotou as Artes, como poucos!