Que mais posso dizer?

Pintura de Gustav Moreau

Amigo
Mal nos conhecemos

Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso

De boca em boca,

Um olhar bem limpo,

Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,

Um coração pronto a pulsar Na nossa mão!

«Amigo»

(recordam-se, vocês aí, Escrupulosos detritos?)

«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,

É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,

Um trabalho sem fim,

Um espaço útil, um tempo fértil,

«Amigo» vai ser,
é já uma grande festa!

Alexandre O’Neill

reposição de post

A., moldado em infância de rebeldia era “Zorro”, não na verdade da palavra, pois o pai, homem de honra, e funcionário público não se poderia dar ao luxo de ter um produto por si germinado, e correr o risco de ficar sem emprego pelo que a opção, seria carimbar-lhe a sua assinatura.
E assim se registou, com o nome do pai e apelido de família, não sem antes empacotar no intervalo o sobrenome da mãe.
O apego do lar, era obra difícil de cumprir, pelo que breve, a mãe de A., à data teria este, ainda poucos meses de vida, voltaria à sua terra natal, com o pequeno fruto de um amor que muito depressa deu lugar à raiva.A luta, pelo sustento era obra quase incomportável.
As terras, poucas, mal davam para as sopas, a aldeia, era demasiado pequena para fazer ouvidos moucos ao falatório, e especialmente porque os “sonhos” eram coisa que não cabia naquele domínio.Voou para uma cidade grande, com o pequeno atrás, e depressa se impressionou por um italiano, de porte, a quem não fazia diferença o facto de em tempos a sua deusa, se ter enovelado noutros lençóis de linho.
Mas para A., esta segunda oportunidade que a mãe se encontrava a viver, seria a árvore, cheia de galhos velhos e a esgaçar, que ele teria que subir durante a infância e adolescência.…Já homem, espigado encontra na capital, aquela que lhe viria a tornar os dias e noites mais estimulantes.

L., é gema de uma família que não se zangava com Deus. A sua origem social, não permitia conhecer maravilhas, as terras não eram muitas, mas lá se colhia e criava o suficiente para sustentar oito filhos, e no inicio do século apesar da ingratidão dos tempos, todos eles foram à escola.Na facilidade do riso e na ternura do amor, os sacrifícios valeram a pena, pois incluída no lote dos oito, L., viveu uma infância feliz e uma adolescência encostada às irmãs mais velhas, que já tinham deixado a aldeia, deixando os pais vestidos de silêncio e de saudades da prole.Gozava do pretígio de ser uma menina bem comportada. Aprendera a ler, a cozinhar, a bordar.Começara a botar corpo, e os ouvidos já desabituados do carinho dos pais, pois já há muito que deixara de os ter por perto , os sussurros de A.,faziam ninho de tentação…

E,Quando um casal mal ganha para a renda do quarto, os transportes lhe levam mais do que a calçada lhe gasta nos tacões, o caldo é de batatas e couve, um filho é erva daninha em terreno que se queria de pousio.Descendência era privilégio de rico.Não se acautelaram.

L.,

transformou-se em terra adubada.

Habitavam em quarto exíguo, sem jamais esperar mudança, mas o fedelho vingaria, apesar de malgrado o esforço de cada dia.
LISBOA deixara de ser considerada um conto de fadas, o casamento tão pouco, o trabalho começava ainda o sol, não tinha nascido, a “féria” era parca, e a vida por si, só tinha razão, porque em dia de delírio, remeteu um catraio ao mundo, que lhe acena em parto ainda feito de dor.

Em hora que a cidade já pulsava, a criança ao abrir os olhos, depara-se com o planeta em desordem. Apesar de ser quarta feira e os videntes crerem que o dia é propício para, grandes negócios, favorece a escrita e inspira confiança, nesse dia Agostinho Neto, regressa a Luanda e assume a presidência do movimento, o Partido Comunista defende uma solução pacífica para o problema político português, começa o período de emissões experimentais da RTP, e pela primeira vez na história, os Jogos Olímpicos foram realizados fora da Europa ou dos Estados Unidos, chegando à Austrália.


Grandes mudanças, mas a fonte que aconchega o bebé, revela-se uma imagem apagada, encolhida, vazia de queixumes como quem cheirou a habilidade de revelar poucas falas, olhos baixos, e sorriso acanhado, mas de dentro emanava um calor, que iria fazer espigar o inocente, por forma a atestar, que o destino ruim de ter nascido serva, não lhe cederia por herança.
E aqui começa o “INICIO DE MIM” !

AMIZADE II

Estou óptima!
Olho-me no espelho, e até consigo sorrir para o que vejo.
As pequenas rugas que se formam junto dos olhos, são começo de velhice, não são o que normalmente chamamos de traços expressão. Volto a olhar e o que se reflecte:
Não é aparentemente um facto importante.
E digo:
Espelho meu, espelho meu, quem sou eu?

Durante muito tempo das nossas vidas, não nos conhecemos, e até acredito que alguns não se conheçam nunca.
A procura de nós mesmos é uma das vigas mestras da nossa existência, a mola que impulsiona a grande parte dos nossos actos e relações.

Reconhecer que tivemos relações de considerável amizade, e hoje não ser-mos capazes de fazer um relato minucioso e completo dessas vivências entristece-me.
É verdade, que durante as nossas vidas conhecemos e damo-nos a outros e que juntos costuramos retalhos de conhecimento, tivemos interesses comuns, precisámos uns dos outros, de uma forma ou de outra, e facilmente aplicávamos a Lei da Entreajuda.

O facto é que naquela altura, as alegrias, as emoções, as descobertas, as confidências que vivemos estavam tão enraizadas, que não me permitiam perceber onde começavam ou terminavam as influências, nem consigo apontar agora, os desmazelados momentos que considerei de verdadeira amizade.

Hoje a distância domina-nos, e não se trata de um distanciamento geográfico, mas de um desdobramento de identidades, que não conjugam, ou simplesmente caminhos abstractos,que nem todos entendem.
Fragmentadas as partes com quem julguei amigo, tento elaborar a dinâmica de um todo que me ajudará a um todo melhor.

HOJE ESTOU ASSIM…

METAMORFOSE
Repara: — a imóvel crisálida
Já se agitou inquieta,
Cedo, rasgando a mortalha,
Ressurgirá borboleta.
Que misteriosa influência
A metamorfose opera!
Um raio de Sol, um sopro
Ao passar, a vida gera.
Assim minh’alma, inda ontem
Crisálida entorpecida,
Já hoje treme, e amanhã
Voará cheia de vida.
Júlio Dinis

Uma nova etapa

Foste uma amiga não diária, daquelas com quem não estamos sempre a conversar, mas quando te encontrava transmitias Paz, apesar de nem sempre estares feliz, tinhas a capacidade para ajudar! Ajudar, sabes… aquilo que muitos de nós desconhecemos.
Mas tu conhecias, e bem! Por isso, e por tudo em que nos acompanhaste, o Universo escolheu um lugar maravilhoso onde uma Luz, irá estar sempre acesa, para continuares a participar nas nossas vidas, como exemplo que és. Não foi por acaso que escolheste, ser Glória de nome.

Pela 2ª vez há 26 anos

“O amor de mãe por um filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo.
Ele não obedece lei ou piedade,
ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso
tudo o que ficar em seu caminho.”
Agatha Christie