Mãos

“Temos duas mãos e ultimamente olho-as muito,tomo-lhes o peso.São rijas e fortes as nossas mãos,habituadas à geada,ao joio,ao frio das manhãs. Tomam a forma das coisas para as agarrar,as nossas mãos levantam pedras ainda que mais pesadas que elas. Não são transparentes mas sabem muito, têm a sabedoria dos gestos dos nossos avós, dos nossos pais e ainda os nossos. Conhecem a terra as nossas mãos,os dedos têm sabor, as unhas a presença. As mãos conhecem as coisas mesmo quando os olhos já não vêem. As mãos vão até aos outros, mesmo quando a voz se não solta. As nossas mãos semeiam, colhem o trigo, amassam a farinha, partem o pão, levam-no à boca. Não há nada no nosso corpo que saiba tantas coisas, que conheça tanto, como as nossas mãos. Por isso tenho a certeza, de que elas sabem também como se há-de mudar a nossa terra. …. E todo o povo há-de descobrir,todo inteiro, o povo, o peso das mãos, a sabedoria das mãos para fabricar a abundância e a igualdade.
E quem duvidar, há-de experimentar o peso das nossas mãos, mãos de trabalho que sabem de guerra e de foma e querem saber de paz e liberdade. “
Texto de Helena Neves (Junho de 1974)

Mãos, no Museu Rodin, foto de Howard Carson

Foto de Pão, de Maurizio Moro

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1 Comentário

  1. Venho agradecer pela sua visita aos filhotes adorados e mais uma vez me encantando com seus registros por aqui.Abraços da Itália,Bergilde

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