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O MENINO GRANDE

Também eu, também eu,
joguei às escondidas, fiz baloiços,
tive bolas, berlindes, papagaios,
automóveis de corda, cavalinhos…

Depois cresci,
tornei-me do tamanho que hoje tenho.
Os brinquedos perdi-os, os meus bibes
deixaram de servir-me.

Mas nem tudo se foi:
ficou-me,
dos tempos de menino,
esta alegria ingénua
perante as coisas novas
e esta vontade de brincar.

Vida!
não me venhas roubar o meu tesoiro:
não te importes que eu ria,
que eu salte como dantes.

E se riscar os muros
ou quebrar algum vidro
ralha, ralha comigo, mas de manso…

(Eu tinha um bibe azul…
Tinha berlindes,
tinha bolas, cavalos, papagaios…

A minha Mãe ralhava assim como quem beija…
E quantas vezes eu, só pra ouvi-la
ralhar, parti os vidros da janela
e desenhei bonecos na parede…)

Vida!, ralha também,
ralha, se eu te fizer maldades, mas de manso,
como se fosse ainda a minha Mãe…

Sebastião da Gama

Eu hoje deveria escrever alguma coisa, mas não sou capaz.
Não saiem as letras, não solto palavras, não fluem frases.
Estou a tentar arranjar tudo e como nada consigo, sirvo-me do lindo poema de Sebastião da Gama.
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