O Discurso do Rei

As Famílias Reais são um maná para diversas indústrias, com alguma incidência na sétima arte.

The King’s Speech que este ano abarbatou os principais prémios da Academia. Na minha modesta opinião cinéfila, não deixa de ser interessante, mas nada mais do que isso.

Colin Firth tem uma exibição fantástica, no papel de George VI. bem como Geoffrey Rush – como Lionel Logue, esperava no entanto um pouco mais, dada a época em que os factos se passaram, o peso da Inglaterra na Guerra de 39-45.

As suas relações com a Alemanha mereciam um pouco mais de destaque, que não tão só a gaguez do rei.

Alguns historiadores contam até, que os trabalhos com Logue terão começado muitos anos antes da coroação.

Enfim, mais um filme daqueles, que ao acabar não nos deixa grandes memórias, a não ser quando injectados pela maior festa do cinema americano



Para ti, companheiro de viagem

Não falo de palavras, nem de goivos,
mas de horas atadas ao pescoço.
Poema verdadeiro é sermos noivos:
saber tirar a pele e o caroço
ao grito entre a morte e outra morte
que nos mantenha lassos e despertos
até que venha o talhe que nos corte
e nos retire os poços e desertos.
Por isso, meu amor, o que te dou,
beijo beijado em corpo claro e vivo,
é mais que o verso que te dizem, ou
aliterante, agudo ou conjuntivo.
Colado a tudo, mesmo a contragosto,
o rio inventa o verso, e não assim
como se ao espelho visse o próprio rosto,
mas tu além-palavra, ao pé de mim.
Escrito de Memória, 1973

Reposiçao

Neste meu  périplo pelos blogs, tenho percebido, que os mesmos se dividem em variadíssimas classes, existindo um perfil que predomina e me tem obrigado a alguma reflexão. Trata-se da procura insistente do “eu superior” ou da “luz” como lhe quisermos chamar.

Ao que me parece nem toda a mudança ou tentativa da mesma se traduz num romper com o compromisso de vida que nos foi atribuído ao nascer.
Todas as possibilidades existem, nem sempre de acordo com o padrão ensinado. Embarcar na reflexão, pode ser o reconhecimento da provação em falta, da respiração suspensa, da vilanagem inconsciente, da vida de ausência ou até do silêncio perdido. Daí a necessidade de investigar.

Estou longe dessa procura, provavelmente deveria, e parece-me que a evolução, vou chamar-lhe assim, resulta duma impossibilidade durável de manter a vida real, até ali vivida.
Num piscar de olho, e de fácil entendimento, reconhece-se que o heroísmo no quotidiano, se torna violento para aquele que o pratica, pelo que resistir à pressão dos círculos próximos é difícil. Daí o encosto à espiritualidade.

Não me choca que as pessoas se queiram tornar melhores seres humanos, mas as ausências imaginadas, podem vir no sentido inverso e reclamar aquilo que no nosso dia a dia não se pratica, arrisco dizer, poder ser redutor.

Na generalidade dos casos, raramente a atitude é igual ao discurso.

Contos do Mar Errante

“…no amor não há juízo final, mas fora dele não terão conta as contas que nos serão pedidas…” .

Um desafio à coragem de mudar…
 
 
Maria Gabriela Llansol