Pequenas grandes lições

Nos anos de 1982 a 1986 chegavam aos molhos, novos clientes para as agências de publicidade, era o “boom da internacionalização”. Não tínhamos muita gente especializada, pelo que era trabalhar até mais não. Naquela altura não existiam relógios, que nos fizessem parar.

Posicionadas as nossas secretárias lado a lado, eu e a Guida com catraios pequenos, por vezes intervalávamos os “media plannings” e conversávamos sobre as nossas nobres lides domésticas.

A Guida, contratou a D. Josefa, para ajudar nas limpezas e arrumações lá em casa, mas nem sempre o manejo da senhora estava de acordo com o da dona da casa, e as queixas sucediam-se…, pelo que um dia eu já cansada, de tanta má produção, disparei:

-Eh pá, manda-a embora. Arranja outra!

Espantada a Guida, esgazeou-me os olhos, e eram grandes, olhou em frente e disse:

– Sabes ontem, o meu filho, entornou o leite no chão, com a pressa, saí e não limpei. Quando cheguei a casa, à noite, tinha uma auréola branca no chão, e pensei; se não fosse a Josefa, a esta hora tinha que limpar o chão todo, assim como ela passou o pano, já só tenho que limpar o círculo que secou à volta dos pingos.

E a Josefa por lá continuou, ainda alguns anos, até ao dia em que a Guida partiu, já lá vão, para aí uns 18 anos.

Tantas e tantas vezes me lembro deste pequeno episódio, porque as separações, e em especial as partidas são uma ameaça permanente, armas poderosas. Não podemos jogar impunemente com a separação. Ela é importante demais, para todo o nosso equilíbrio emocional, e como tal deve ser enfrentada, atenta e cautelosamente.

Seja qual for o caminho escolhido, é preciso conhecer que acima da situação que pretendemos largar, conta na hora do pulo, o sentimento de perda.

Tenho saudades de ti minha amiga!
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4 comentários

  1. Fiquei sem palavras …. As partidas deixam-nos sempre cravadas na alma palavras que nos foram ditas ,em certos momentos , mas que depois repisamos ,vezes e vezes sem conta , tentando entender se fizemos o nosso melhor… Beijos

    Responder
  2. Pois é Quina, embora este episódio já tenha muitos anos, não é que de quando em vez me lembro dele?Porque não colher o bom, do menos bom, que nos visita?Um beijo grande

    Responder
  3. Isa

     /  31/03/2011

    Ah pois é…

    Responder
  4. IsaAh pois é… um simples pingo de leite derramado no chão, pode ensinar-nos… depende da forma como o vemos!Bjinho grande

    Responder

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