Diálogo

Diz Toda a Verdade

Diz toda a Verdade mas di-la tendenciosamente –
O êxito está no Circuito
É demasiado brilhante para o nosso enfermo Prazer
A esplêndida surpresa da Verdade

Como o Relâmpago se torna mais fácil para as Crianças
Com uma amável explicação
A Verdade deve ofuscar gradualmente
Ou cada homem ficará cego –

Emily Dickinson, in “Poemas e Cartas”
Tradução de Nuno Júdice

E, afinal, o que é exactamente o diálogo?
O que se tenta, através do diálogo, é saber como e onde o mundo à nossa volta, aperta e dói, e por outro lado, como e onde, ele nos parece quente e acolhedor. As relações que mantemos por muito que as queiramos únicas e inimitáveis, são o reflexo directo da nossa relação com o mundo.
Dialogar, é uma arte! E das mais delicadas!
Uma condição para dominar a técnica dessa arte, é ser absolutamente sincero. E se se perguntar aos que nos rodeiam se conhece alguém sincero, é muito provável que oiçamos um sonoro “sim”. E pode até acontecer que quanto menor for a sinceridade, mais veemente será a afirmativa.
Não, não creio ser falta de carácter, ou de necessidade intrínseca de mentir, o que acontece, é que ao falsificar o diálogo, a grande maioria das pessoas, não se dá conta do facto.
Muitas vezes confundimos diálogo com uma apta habilidade para conversar, diria até que há vários níveis de profundidade. Tudo funciona em camadas, digamos…como uma cebola. Ela é feita em camadas, as externas são as mais resistentes, capazes de aguentar uma pancada, enquanto que as internas são mais macias, delicadas, até ao núcleo quase mole.
Com a sinceridade acontece a mesma coisa. À medida que nos vamos conhecendo, “descascamos” uma camada e chegamos a outra. É assim ela mesma, só é possível depois de desvendada, depois de íntimos do seu conteúdo.
É claro, que existe um outro tipo de sinceridade…a básica. E ela é imprescindível. Não haverá diálogo verdadeiro se não a tivermos como ponto de partida.
Entre aquilo que eu sinto, aquilo que tu sentes, aquilo que se diz, aquilo que ele entendeu, a demonstração que se deu, vários vãos se vão abrindo sucessivamente.
É preciso maturidade e esta não tem idade. Ela é necessária, basicamente para não se querer ser entendido a qualquer custo.
Dialogar não é fácil.
Umberto Eco no seu livro “Obra Aberta”, trata do fenómeno da comunicação, e chama-lhe isso mesmo… fenómeno.

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14 comentários

  1. Entendo a sinceridade como verdade, mas não como “toda a verdade”, porque a verdade inteira pode ser sinónimo de crueldade. É por isso que a maturidade de que falas, mas também a sensibilidade, são essenciais para que o diálogo seja possível e salutar.

    Beijos

    Responder
    • eduarda

       /  15/09/2011

      Fátima
      Também te dou razão, por vezes é-se tão cruel, quanto sincero. Também se pode ser tão cruel, quanto hipócrita.
      O que eu quero dizer neste post, é que já passei a idade, de perder tempo, com conversas de circunstância…
      Um beijinho grande para ti e obrigada por teres vindo até aqui.
      Eduarda

      Responder
  2. Boa noite, Eduarda!
    Não a sabia já por aqui, vai acabar por gostar, e depois, não dá problemas e mais problemas como o blogspot, e é também mais seguro.

    Quanto ao post, “dialogar não é fácil”, é verdade, mas a sinceridade também é algo que se sente e não se consegue ser hipócrita todos os dias… Há sempre um dia em que a máscara cai, e depois disso, nunca mais nada será como antes.

    Prefiro uma verdade cruel, a uma mentira cínica!

    Beijinho,
    Ana Martins

    Responder
    • eduarda

       /  16/09/2011

      Olá Ana
      Pois é… entrei para o clã, WordPress. Já andava cansada das “minhoquices” do blogspot.
      Obrigada pela visita.

      Responder
  3. Desculpa, Eduarda… fui com tanta sede ao pote da leitura que me esqueci de te falar quão agradável é o aspecto gráfico que deste a esta tua casa nova. Muito bonita, alegre, cativante!

    Percebi o que querias dizer e subscrevo, nomeadamente, quando associas crueldade e hipocrisia. Mas há verdades que prefiro (ou preferia!) não saber e outras que hei-de morrer sem revelar.

    Beijos

    Responder
    • eduarda

       /  16/09/2011

      Obrigada Fátima, sei que posso sempre contar contigo! Obrigada também a ti, pelas ajudas que me deste lá no outro canto.
      Bjinho

      Responder
  4. Eduarda, amiga!

    Antes de mais, parabéns pelo bom gosto que tanto te caracteriza e que aqui está novamente bem patente. O teu espaço está lindíssimo!

    Há uma enorme diferença entre falar e conversar, como bem sabemos, e a mim também já me falta a pachorra para ouvir falar.
    Para conversar tem de haver no mínimo identidade.

    Agora que somos vizinhas e até já conversamos ^^ voltarei sempre, pelo menos para te dar um beijo.

    Responder
  5. Voltei, Eduarda!

    Ainda não tinha lido o teu comentário.
    Não me parece que “andes aos papeis”, mas sabes que podes contar com todas as informações que disponho, sempre!
    Liga-me sempre e quando quiseres.

    Beijo

    Responder
    • eduarda

       /  16/09/2011


      Nem queiras saber o que já patinei por aqui. Sou teimosinha…
      Acho que um dia destes, vou mesmo precisar de ti, novamente. Ainda não sei fazer umas coisinhas, que quero colocar.
      Bjinho

      Responder
  6. Bom dia amiga Eduarda🙂

    Sabes? Acho que muito poucos sabem tudo, talvez ninguém saiba mesmo.
    “I just know that I know nothing”

    Telefona-me. Estou em casa mais à tardinha. Agora que as classes começaram estou mais fora do que dentro, especialmente de manhã e de tarde, enquanto der, estou ao solinho a ler.

    Beijinho.

    Responder
  7. vitorchuva

     /  20/09/2011

    Olá, Eduarda; boa tarde!

    Peço desculpa por só agora aqui chegar; não tinha dado conta de que já se tinha mudado…

    Dialogar é mesmo uma arte; sem ela será mais uma conversa de surdos com gente a falar.
    Eu penso que hoje vivemos no tempo das meias verdades,sobretudo em matéria de informação.
    Não se fala mentira, mas esconde-se o que convém; é o mais refinado e eficaz método de desinformação e manipulação e tão difícil de detectar…

    E a partir de agora que já sei o caminho …

    Boa semana; beijinhos.
    Vitor

    Responder
  8. Olá Eduarda!

    Digamos que temos a mesma fada madrinha, por isso não me espanta nada que em breve se sinta confiante e segura🙂 Temos sempre a certeza de uma mão amiga e a qualquer momento.
    O seu Blog está lindíssimo.

    Dialogar é mesmo, como diz o Vitor, uma arte.
    Para mim é muitos mais do que partilhar palavras. É ter, no mínimo, algo em comum e saber escutar.

    Beijinho
    Ana Sofia

    Responder
  9. antonio bras pereira

     /  12/10/2011

    Olá eduarda! Ate que enfim, consegui chegar até ao seu novo refúgio do dialogar….a casa está arrumadinha, aparentemente receptiva às amizades sencíveis com bom comportamento, e à possível recolha de comentários construtivos. Não ouso deixar a minha opinião com receio de que a peritagem ria dos meus disparates. Com tudo, devo revelar grande contentamento depois de ter lido os variados pontos de vista em relação a um tema que merece o seu diálogo… abraço

    Responder
    • Seja bem vindo António. Por favor não receie comentar o que muito bem entender, se não aceitasse opiniões, fechava os comentários.
      Um beijinho e obrigada pela visita.

      Responder

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