Etapas

Sabendo reconhecer as etapas da vida, a intensidade dos bons e maus momentos,
conseguimos distinguir entre um simples aborrecimento e uma dor bem forte.
Abafar uma simples contrariedade, podemos faze-lo na alegria e numa  festa, numa ida ao cinema, no assistir a um concerto de Verão, não é a mesma coisa que tentar superar uma dor séria. Uma chatice é uma pedra no caminho, uma grande dor é uma montanha de difícil escalada, é fundamental não confundir pedras com montanhas.
Pedras, podemos saltá-las sem esforço, montanhas dividem o espaço, interrompem, estabelecem um antes e um depois, e é aí o ponto, em que visivelmente alguma coisa em nós se modifica .
E o que exigem de nós essas montanhas? Basicamente, atenção. Funcionam como um sinal de alerta.
Ordenam um olhar mais atento, há perigo perto, convém prevenir-nos antes do próximo movimento.
Acalmado o primeiro impulso ansioso, que nos impede para a fuga veremos que enfrentar montanhas, não é tão mau como se temia, desde que analisemos em detalhe a causa do que estamos a viver e entender porque é que chegámos até ali.
É no decorrer deste trabalho que deglutimos e incorporamos os factos na nossa própria vida, preparando-nos ao mesmo tempo para traçar novos rumos, e não nos deixarmos perder na intensa vegetação da montanha.
Dos maus momentos da vida, daqueles que parecem eternos, saímos mais fortes e talvez um pouco mais maduros.
Ganhamos mais, e abrimo-nos para os outros de uma outra forma.Conquistamos também uma pequenina parte da humildade tão necessária para aceitar que ainda atravessaremos outras fases de sofrimento. E entenderemos que em cada uma delas ganharemos um novo fôlego para o momento seguinte.

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7 comentários

  1. deolinda gonçalves

     /  01/11/2012

    Eduarda,

    Li uma vez e já reli mais 2 vezes. E expressivo, intenso e ate sofrido. As tuas palavras e a forma como as coloca, sáo unicas.
    So uma mulher inteligente como tu, nos premeia com estas “Etapas”. Fazes falta
    Beijinhos
    Deolinda

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  2. António

     /  01/11/2012

    Eduarda: também eu li várias vezes o seu texto, mas ultrapassa o meu discernimento… abraço.

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  3. Bom dia, Eduarda

    Com efeito, é a capacidade que cada um de nós tem de incorporar a dor na sua vida, e de assumir essa dor como parte de si, que nos permite continuar a viver, a ser gente e, desejavelmente, pessoas melhores. A montanha que temos de vencer é a nossa (in)capacidade de aceitar a perda. Às vezes, como alguém me disse a mim, “é preciso deixar partir”, embora, na altura, se me tenham revoltado as entranhas.

    Um grande beijo

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  4. obrigada amiga. Conto contigo. Bjs

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  5. António
    Por vezes escrevo sem me lembrar que há gente que lê. O comentário da Fátima reflecte exactamente que pretendo dizer.
    Abraço

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  6. Fátima
    Não sei se é tão fácil assim. Cá por estes lados o peso é grande e não me parece que melhore. Obrigada pelo conforto. Um beijo grande

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  7. António

     /  19/12/2012

    Eduarda: desculpe… o erro aqui está na leitura e não na escritura… “mea culpa”. Jamais ousaria por em causa a sua grandiosa capacidade expressiva… antes a minha compreensão. De facto, o comentário da Fátima, elucidou-me… ou antes ajudou-me. Abraço e Feliz Natal

    Responder

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