Luisa

A vida é um caminhar.

Haverá sempre coisas por resolver, haverá sempre perguntas sem respostas, haverá sempre angústia.

Mas o caminho não conduz a um muro intransponível, de encontro ao qual esbarrarias, mas sim a um espaço  sem fim, cujo nome ignoro, mas cuja água sei  te matará toda a sede. Assim poderás  ter paz .

Há sofrimento , porque há morte!

Há sempre possibilidade de recuperação, porque há vida!

Foste capaz de ultrapassar as várias contingências da vida e ter asas para voar mesmo quando não podias. Caminhaste sem descanso apesar do cansaço, assumiste a condição de simplesmente ser pessoa.  Ser que enfrenta o mundo e não objecto manipulável.

Foi  uma conquista gradual, que permitiu  integrar em ti  tudo o que aconteceu, de forma a adquirir a pouco e pouco,  um verdadeiro equilíbrio .

Foste descobrindo a força que existia dento de ti, os convites que continuamente te eram feitos para que avançasses, tal como eras, e com aquilo que tinhas, quaisquer que fossem as circunstâncias, favoráveis ou não, no teu contexto de vida.

O  bem para lá do mal, a vida para além da morte.

Ajudaste-me a ter  fé, a suficiente para me permitir embarcar em aventuras de rumo desconhecido, que talvez me levem para campos ignorados, onde o amparo que encontrarei será, tenho a certeza, o teu forte abraço.

Ensinaste-me que a minha vida terá que ser construída com materiais qua vou escolhendo ao caminhar.

Ultrapassar a perturbação causada pela morte, vai ajudar-me a encontrar a raiz da árvore que sou, e beber o sumo dos seus frutos. Farei então um brinde à mulher, sogra e amiga que foste durante estes trinta e cinco anos de amor.

Fica em paz.

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«É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados. »

Miguel Torga – in Diário IX ( Chaves,17 de Setembro 1961)

 

Sou nada e sou tanto!

Sou maior que as minhas dores,

 limitações, tristezas ou fraquezas.

Há uma dor que anestesia e confunde

E há a fé,

que me sustenta o peso

de ser tanto e nada ser! 

O futuro não é amanhã,

o futuro é hoje,

aqui, e agora.

É a hora!

Viva o Quinto Império!

Muitos, mas muitos anos depois, faço na minha cozinha, com ingredientes de supermercado  a mesma receita que a minha avó de Trás-os-Montes me ensinou. Agora, em cima da mesa, estão a arrefecer  folares que bati, deixei levedar e cozi  no forno electrico.

 SANTA  PÁSCOA

 

“Ressurreição de Cristo” de Raffaello Sanzio (1483 – 1520)

“O rural é bom não por ser tosco.

É bom por ser autêntico e nunca perder a significação.”

Miguel Torga

                                                                                                                                                                                                foto tirada na aldeia de Varge

 «Vivemos no tempo – ele contém-nos e molda-nos – mas nunca senti que o compreendesse muito bem. E não me refiro a teorias sobre o modo como cede, recua e dá meia volta, ou poderá existir algures em versões paralelas. Não, falo do tempo comum, quotidiano, que os relógios de pulso e de parede nos garantem passar regularmente. Existe algo mais plausível do que um ponteiro de segundos? E todavia basta a menor dor ou prazer para nos ensinar a maleablidade do tempo. Há emoções que o aceleram, há outras que o abrandam. Às vezes parece desaparecer – até ao ponto que desaparece mesmo, para nunca mais voltar.»

Julian Barnes, in O Sentido do Fim.

imagem de J.M.W. Turner

Há uma palavra mágica que se diz.
Essa palavra é sempre diferente.
Montanha, precipício, brilho.
Essa palavra pode ser um olhar. A voz. Um olhar.

Essa palavra pode ser o espaço de silêncio
onde não se disse uma palavra.
Brilho, montanha.
Essa palavra pode ser uma palavra, qualquer palavra.

há uma palavra mágica que se diz. Há um momento,
depois dessa palavra,
só depois dessa palavra…

JOSÉ LUÍS PEIXOTO

 

UM SANTO

 E

 FELIZ NATAL