"Les désespérés"

 Se tiennent par la main
Et marchent en silence
Dans ces villes éteintes
Que le crachin balance
Le sol que leur pas
Pas à pas fredonné
Ils marchent en silence
Les désespérés
Ils ont brûlés leurs ailes
Ils ont perdu leurs branches
Tellement naufragés
Que la mort paraît blanche
Ils reviennent d’amour
Ils se sont réveillés
Ils marchent en silence
Les désespérés
Et je sais leur chemin
Pour l’avoir cheminé
Déjà plus de cent fois
Cent fois plus qu’à moitié
Moins vieux ou plus meurtris
Ils vont terminer
Partent en silence
Les désespérés
Lente sous le pont
L’eau est douce et profonde
Voici la bonne hôtesse
Voici la fin du monde
Ils pleurent leurs prénoms
Comme de jeunes mariés
Ils fondent en silence
Les désespérés
Que se lève celui
Qui leur lance la pierre
Ils ne sait de l’amour
Que le verbe s’aimer
Sur le pont il n’est plus rien
Qu’une brume légère
Ça s’oublie en silence
Ceux qui ont espéré
“Les désespérés” – Jacques Brel from Poesie in forma di rosa on Vimeo.

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A década de 70 acaba, e entramos na seguinte com muita… ah quanta!, esperança na democracia.

Já antes tínhamos tido oportunidade de ver tiranos comerem pó, vimos cair o Franco, Salazar, caiu Bokassa, o Xá , Idi Amim esborrachou-se, Somoza abateu-se…ditaduras foram-se finando e nós por cá, que nos julgávamos frágeis, levantámos as mãos, levantámos a voz e começámos a avançar.

Um novo fôlego se nos oferecia.

Na verdade, o trabalho, que abrira o seu leque, com alarde, era decorrente daquele que se iniciara discretamente muitos anos antes. E apesar da divergência de opiniões a integração de todos era-nos assegurada pelo desenvolvimento de relações amigáveis e cooperação entre as diversas classes emergentes no país. Assim; o combate aos preconceitos, o direito à instrução, uma maior participação nos órgãos centrais de decisão, a justa distribuição dos benefícios originados pelo grau de desenvolvimento que conseguíssemos, eram mecanismos de aplicação para um plano, que ao longo destes anos foram deixados ao critério de cada um… e embora tenhamos hoje grandes melhorias, a batalha não acabou.

Chegados a uma situação grave, onde medidas urgentes são pedidas em relatório encaminhado para todos nós, e o não cumprimento das obrigações que nos foram atribuídas, torna-se um combate difícil e sem prazo. Está em causa o garante da subsistência de muitos, o que perante o nível de abstenção atingido nestas últimas eleições, parece-me dramático, para uma população que há tantos anos esperava uma situação bem melhor para os seus filhos.

Acordemos pois, para o facto dos nossos filhos e netos, não sentirem orgulho na nossa geração, bem podemos ouvi-los gritar, escrever, reclamar nas ruas, nos congressos, nos gabinetes, essas são ainda as garantias que lhes damos… por enquanto, e se algum sorriso subsiste será mais de insegurança, do que de pazes feitas, pelo final do processo.