Queixa das almas jovens censuradas

Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
Mais um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma de uma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
Com as cabeleiras das avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa historia sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Somos vazios despovoados
De personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco
Dão-nos um pente e um espelho
Pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
Um avião e um violino
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida, nem é a morte

Letra: Natália Correia
Música: José Mário Branco

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SANTA PÁSCOA

Caravaggio

Descida da Cruz, produzido entre 1600 e 1604. A tela é considerada uma das obras-primas do pintor, e foi encomendado por Girolamo Vittrice para a capela de sua família em Santa Maria de Vallicella, em Roma. Atualmente pode ser encontrada nos Museus do Vaticano
De que forma falaria hoje Jesus da nossa sociedade?

Jesus levar-nos-ia de novo para a beira do lago, ao deserto, ao rio Jordão. Entraria nas nossas casas e falaria uma palavra que nos tocaria e comoveria o coração.

A sua palavra é sempre alternativa. A voz de Jesus não é mais uma. Não é uma voz que nos confirma, que diz “está tudo bem”, mas é uma voz que não se conforma. Jesus é um inconformista e por isso leva-nos sempre para a margem.


A palavra e a experiência cristã deslocam-nos para fora do rebanho, para fora das nossas certezas e daquilo que está estabelecido. Ou então é uma palavra que nos leva para dentro, nos reaproxima, estabelece connosco de novo uma intimidade. E aí, Jesus é capaz de tocar por dentro o nosso coração.

José Tolentino Mendonça: «A palavra e a experiência cristã deslocam-nos para fora do rebanho»
Conversa entre o director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, padre José Tolentino Mendonça, e o jornalista Paulo Rocha.

A minha mãe

Parabéns pelos teus 88 aninhos.
Mãe;
-não há poema…não há texto… não há livro, que consiga dizer mais do que isto: amo-te!

(fotografia tirada em Março de 2011) 

Não devemos esquecer…

Recebi por mail e não resisti a partilhar:

Para quem andou pela Guerra Colonial, também para quem não pôs lá os pés, por sorte, por azar, pela idade ou condição, mas acima de tudo para quem gosta de saber mais e se interessa pela história do seu país, do nosso país, e por um conflito que marcou as gerações das décadas de quarenta e de cinquenta e de sessenta e de setenta e de oitenta e de…., aqui fica um notável documento para adicionar aos Favoritos e ir consultando à medida da sua curiosidade:

Serra de Montejunto e aldeia de Pragança

http://flash.picturetrail.com/pflicks/3/spflick.swf

Uns dias de férias na aldeia, são a melhor terapia.
Ainda estou a recuperar das minhas cruzes, mas valeu a pena!