Marguerite Yourcenar

“Quando perco tudo, resta-me Deus “
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Poema de agradecimento à corja

Obrigado, excelências.

Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

Legalmente fera !

O que se faz geralmente com a fera é prendê-la na jaula, enfiar-lhe uma sólida focinheira, atar-lhe uma coleira ao pescoço,e amansar-lhe o temperamento com muito chicote no lombo.
Assim instruída, poderá até subir um trampolim, levantar-se sobre as patas traseiras, e até pular por dentro de um círculo em chamas.
E palmas. Muitas palmas!
Pelo menos até ao momento em que distraído o domador, a fera salta, dentes à mostra.
É assim que a sociedade de um modo geral, convive com a agressividade.Proibindo-a de se manifestar, trancando-a numa sólida jaula de preconceitos moras, enfiando-lhe um açaime de vetos e inibições.
Agredir fisicamente é proibido por lei. Agredir verbalmente é falta de caridade cristã. Contradizer é pecado, o certo é oferecer a outra face e receber o insulto em dobro.Criança que bate no irmão mais pequeno é cobarde. Irmão mais novo que provoca o mais velho, excede-se e vai de castigo. Mulher que bate noutra, que vulgaridade!
Bonito enfim, é o manso, o doce, o sempre compreensivo.
E embora sejamos todos feras, pretendemos a beatitude de um santo qualquer.

I Know I have to go…


Now there’s a way and I know
That I have to go away
I know I have to go

Cat Stevens
Father And Son

Nestes tempos em que tudo se distorce, manifestam-se constantemente falsos afectos por forma a sentirmo-nos devedores em permanência, tal como o canídeo de Pavlov.
-“Toma lá o doce. Não o mereces. Ofereço-to, para que sintas, que me deves qualquer coisa.”
Assim vai andando este país…

Canção Tonta

Mama.
Eu quero ser de prata.
Filho,
Terás muito frio.
Mama.
Eu quero ser de água.
Filho,
Terás muito frio.
Mama.
Borda-me em teu travesseiro.
Isso sim!
Agora mesmo!

Parabéns

Agradeço-te minha querida, pelo aninho de felicidade que me ofereceste.