Sou fã


O toque de um amigo
Jiddu Krishnamurti

Anúncios

Luigi Tenco – Vedrai Vedrai

Vedrai, vedrai, vedrai che cambierà
forse non sarà domani, ma un bel giorno cambierà
vedrai, vedrai, che non sei finito sai
non so dirti come e quando ma vedrai che cambierà

Não caias pelo cansaço,

não deixes que neguem o teu sonho,
tu não queres esquecer!


O tempo não conta, mas…
já se foram dezanove Janeiros
e
tu não queres esquecer!


A distância é tão curta
que sinto a tua estrela
já cansada de olhar por mim
mas,
tu não me queres esquecer!


Entorpecida, pelos atalhos
do meu viver,
vou pintando enredos,
em telas brancas
com cores fortes


E a fadiga não me aperta.
Sabes porquê?
Porque tu;
-Não cais pelo cansaço; de olhar por mim.
-Não deixas que neguem o teu sonho; de eu ser feliz.
-Tu não me queres esquecer; tu não me vais esquecer nunca.
Eu sei isso, pai!

Janeiro,1927- Agosto,1992

Desde que partiste, o dia do teu aniversário, é um dos que mais me custa viver.

«Quando a bondade se mostra abertamente já não é bondade, embora possa ainda ser útil como caridade organizada ou como acto de solidariedade. Daí: «Não dês as tuas esmolas diante dos homens, para seres visto por eles». A bondade só pode existir quando não é percebida, nem mesmo por aquele que a faz; quem quer que se veja a si mesmo no acto de fazer uma boa obra deixa de ser bom; será, no máximo, um membro útil da sociedade ou zeloso membro de uma igreja. Daí: «Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita.» »
Hannah Arendt

O Diário do Professor Arnaldo – A fome nas escolas

“Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude.Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche. O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas…Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta. Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?
É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos.”

(http://www.aventar.eu/2010/11/19/o-diario-do-professor-arnaldo-a-fome-nas-escolas/)

ADENDA DO PROFESSOR

Independência

Independencia é uma forma de nos colocarmos em relação à vida, que abrange a totalidade ou quase das nossas acções.

Independência é a condição de não depender , de não ser tutelada de ser dona das próprias decisões, de ser autónoma.
E aí teremos que enfrentar a ideia argentária. Não é um conceito edificante, mas sem independência económica, não existe independência.
A partir do facto elementar que é preciso comer, e não há comida gratuita, porque mesmo que plantemos, precisamos de solo, e de uma semente para geminar.
Com um salário na mão definimos os nossos padrões, o que podemos fazer, onde podemos morar e até onde podemos ir.
Mas será que independência é tão simples assim?
Todo o conhecimento é necessário para chegarmos e manter a independência.
Não se trata apenas de afirmá-la, mas também de demonstrá-la.
Não basta o conhecimento de uma profissão, embora seja indispensável para o tal caminho do sustento, mas para cuidar de nós é preciso muito mais, e não me refiro aos cursos, às roupinhas ou às nossas necessidades supérfluas.
É preciso sabermos em que mundo vivemos, quem nos rodeia, quais as nossas grandes questões.
São estes conhecimentos que dão à vida uma arquitectura mais sólida.
Sustentar uma vida é nada mais que arrumar as nossas dúvidas, perante as respostas que se nos oferecem.
E na hora do arrumo, quando estamos com a bateria quase descarregada, vamos conferir a contabilidade e damos de caras com um benefit, que nos mostra que há sempre um amanhã promissor à nossa frente. Um amanhã movimentado. Vital, com trabalho, fraquezas a vencer e forças novas a despertar.
Privilégio é a forma como nos sentimos compensados, reconhecer que não damos só importância à conta da luz, ou por não termos com quem sair numa noite de sexta feira.
Independência é não ter medo de crescer, independentemente da nossa idade.

Ou seja independência é coisa muito profunda, que não basta entregar a uma empresa
de mudanças.